. Cada VINIL uma história! - Rock Blues
junho 22, 2021

Rock Blues

Ribeirão

fabiano-ribeiro

Cada VINIL uma história!

“Era um local escuro, com duas vitrolas e milhares e milhares de discos em vinil dos mais variados gêneros…”

Fala ai pessoal! Fiquei surpreso e ao mesmo tempo grato pelo convite que recebi do pessoal do Rock Blues Ribeirão para participar dessa nova etapa desse projeto incrível.

Mas o que escrever e como contribuir? Chegamos a um consenso: escrever histórias relacionadas ao bom e velho vinil. Pensei: vai ser fodástico!

Veio-me a lembrança de quando, aos 19 anos, fui convidado a ser discotecário da Rádio Difusora em Batatais. A rádio funcionava num antigo cinema e a discoteca ficava ao lado da sala de projeção.

Era um local grande e escuro, com duas vitrolas e milhares e milhares de discos em vinil dos mais variados gêneros.

Mas quero, antes de prosseguir, contextualizar. Naquela época – estamos falando em algo próximo a 1990 – ter um disco ou uma fita K7 era para poucos. Um aparelho então, nem se fala. Além de custar muito caro, era difícil de achar o que você queria.

E eu, sem grana e que gostava de curtir um som, fui encarregado de cuidar daquele paraíso. Pensei mais ou menos assim: – “Além de fazer isso, estou sendo pago. É a minha Disneylândia”. E assim foi por um longo período.

Além de repórter e redator, eu tinha a obrigação de fazer a seleção musical do que iria tocar na rádio e cuidar dos discos. Essa segunda obrigação era a melhor. Eu basicamente tinha que ouvir os discos, consertar as capas, indicar as melhores músicas, em minha opinião. Sei que não tinha competência para tal, mas era muito boa a tarefa.

E assim foi que tive contatos com clássicos, rock, MPB, também os chamados ‘bregas’ e muita coisa que não saia da prateleira por questões óbvias – eram muito ruins. Mas tive acesso.

Como não podia levar os discos embora, gravava as músicas que mais gostava em fitas K7. Não era anormal eu ser um dos últimos a deixar à emissora. Ficava lá e perdia a noção do tempo.

Depois, mudei de emissora e deixei, com dor no coração, a saudosa discoteca. Hoje a rádio é moderna e mudou de endereço. O antigo cinema foi demolido e a velha discoteca sucumbiu. Os velhos e bons vinis, como por exemplo, Beatles, Rolling Stones e outros clássicos (que não tocavam em AM, é bem verdade) não sei que fim levaram.

Posteriormente tive a oportunidade de ver ao vivo alguns daqueles cantores e bandas que escutava na velha discoteca. Também de conhecer um pouco mais sobre os protagonistas daqueles vinis. Hoje, invariavelmente quando ouço um vinil ou um som em meios mais modernos, me vem à cabeça alguma história. Acredito que muita gente também é assim: relaciona certa música ou certa banda a determinados momentos. E é isso que queremos. A partir desta semana vou compartilhar algumas das minhas experiências e lembranças e, com isso, tentar despertar as suas também.

Até o próximo sábado, quando vou falar de dois discos de uma banda de Ribeirão Preto que marcou época e ainda deixa muitas saudades!