. FINIS SECULORUM – Se nunca ouviu, ouça! - Rock Blues
junho 22, 2021

Rock Blues

Ribeirão

FINIS SECULORUM – Se nunca ouviu, ouça!

Antes de começar a falar dessa banda que poucos conhecem e desse disco que menos gente conhece ainda, quero agradecer ao pessoal que me corrigiu em relação à coluna passada, principalmente ao amigo ‘beatlemaníaco’ Dr. Valério Tokikawa. Realmente a pesquisa sobre a discografia dos Beatles não é tão simples quanto aparenta ser, por conta do ‘divisor de águas’ nestas produções em 1965. Vou estudar e pesquisar mais. Fica aqui meu registro e meu obrigado aos que leram e me chamaram a atenção. É isso, críticas são sempre bem vindas e erros acontecem, então pode mandar bucha que não tem problema, é até bom!

Vamos lá à coluna de hoje.

Como falei é uma banda que poucos conhecem e um LP que menos gente sabe que existe, mas pode confiar, é muito bom!

Vou dividir essa história em partes. A primeira tem relação ao tempo que era discotecário na Rádio Difusora de Batatais. Certa vez chegou um cara, muito doido, e pediu para tocar o disco dele. Um disco de rock, feito por uma banda de rock de Ribeirão Preto. Peguei o disco, mas como a rádio era AM, não tinha tanto espaço. O papo foi bom. O disco, na minha opinião, melhor ainda. O cara em questão era o Jorge Newton Paulino (compositor, vocalista e guitarra solo), mas os caras o chamavam de Jorjão e a banda a Finis Seculorum (Final do Século).

Tempos depois, passando pela praça Sete de Setembro, em um mini festival de rock, vi a apresentação dos caras. Como conhecia as músicas e gostava do trabalho, o show foi um daqueles que fica na memória. Muita diversão e boa música. Foi a única vez que vi a banda em ação.

Anos mais tarde, quando fazia Faculdade de Jornalismo aqui em Ribeirão Preto, fiz muitas amizades que perpetuaram. Uma dessas é o André de Jesus, o Andrezão. Um cara pra lá de gente boa, roqueiro, cervejeiro, amigo de bons papos e bom de trampo. Tínhamos muita afinidade.

Certa vez sentado em um boteco que hoje não existe mais, próximo da Unaerp, começamos a falar de música e bandas da cidade. A gente tinha o costume de sempre ir ao Quinta Esquina comer uns espetos e depois curtir um rock no Paulistânia, do amigo Durval, com quem trabalhei também na Folha de São Paulo. Tinha muita banda boa, mas isso fica para uma próxima. Falei pro Andrezão: -“Cara tinha uma banda da cidade que era foda. Finis Seculorum”… e contei um pouco do que tinha acompanhando.

Meu amigo Andrezão quase chorou. Não só conhecia a banda como tentou certa vez ser o vocalista da mesma, o que não rolou por vários motivos que não vem ao caso. O guitarrista da banda era o Nill, amigo do Andrezão e que posteriormente, em várias outras ocasiões, virou meu amigo de copo. Andrezão me explicou no boteco que a Finis Seculorum não existia mais, pelo simples fato do Jorjão ter morrido.

Essas são algumas das partes dessa história. Mas pra acrescentar, bati um papo nesta semana pelo WhatsApp com o Nill, hoje advogado. Falei que queria uma entrevista e ele prontamente atendeu e me passou outros detalhes da banda e do disco em questão. Vou deixar em forma de tópicos como foi essa entrevista:

Nill:

“Na verdade, não existia a banda e sim o cantor e compositor Jorge Newton Teixeira Paulino (Jorjão) que iniciou carreira solo no início dos anos 80”.

“Em meados desta década (1980), o Jorge começou a montar uma banda com vários músicos de Ribeirão Preto, sem sucesso em sua formação, por razões de afinidade, estilo e técnica. No final da década de 80, o baterista Camilinho, o qual tocava comigo cover, convidou-me para entrar na banda como guitarra solo, visto que minha formação me credenciava. No primeiro ensaio houve um entusiasmo enorme e geral entre mim e os demais, principalmente pelo líder da banda, Jorge”.

“Ficando, por assim dizer, completa a banda e tudo se harmonizou, originando, inclusive o nome que em vernáculo significa FINAL DO SÉCULO”.

“Anos depois, com exaustivos ensaios, o sonho viera a se concretizar, ou seja, em meio de inúmeras dificuldades, a financeira sendo a maior, gravar um LP, o que só era possível em São Paulo e outras capitais, pois sequer ouvia se falar em CD”.

“Fomos então a SP fazer a gravação, cuja hora no estúdio custava um absurdo. Mas com economia e ajuda de alguns amigos, inclusive um que nos levou a São Paulo. Passamos uma tarde no estúdio sem conseguir gravar uma única faixa. Então tivemos que dormir em pulguentos quartos de hotel baratos (rsrsrs). Na manhã seguinte fomos ao estúdio e foi mágico, pois gravamos todo o vinil sem nenhuma edição ou coisa do tipo, foi fantástico!”.

“O lançamento do disco aconteceu na UNICAMP, ocasião que dividimos o palco com Marcelo Rubens Paiva (autor do livro Feliz Ano Velho).Tudo aconteceu com muita energia”.

“No início da década de 90 com o LP em mãos, tivemos vários convites para apresentação, dentre eles, o convite de Paulo Diniz, então secretário da Cultura, para fazer o projeto Música na Praça. Tocamos na Catedral, Sete de Setembro, Bonfim Paulista, Rômulo Morandi… fomos tocar em outras cidades, tocamos em bares e em cima de caminhão”.

“Interessante é que tínhamos vários amigos que acreditam na banda, inclusive a arte final da capa foi feita por João Carlos dos Santos Andrade e o pintor Paulo Camargo (reconhecido internacionalmente)”.

“A banda tinha proposta bastante concreta e objetiva, irreverentes e totalmente às avessas do governo (na época Collor)”.

“Mas como tudo tem início meio e fim, a banda já preparando o segundo álbum com 5 músicas prontas, foi desfeita, isso por atritos entre os componentes e uso de drogas. Após o desfazimento da banda, 2 ou 3 anos, 95 ,96 Jorge e Fernando faleceram (baixista). Eu me formei em Direito e estou advogando. O Camilinho (baterista) trabalha com arranjo de flores para casamento e eventos congêneres”.

“E foi assim que tudo terminou…”.

Fica aqui meu registro, minha indicação e mais que isso, meu agradecimento como fã desse LP aos envolvidos no projeto. Falei pro Nill que deveríamos colocar o LP nas plataformas digitais. Quem sabe não rola e a gente compartilha com vocês.

Finis Seculorum

Jorge Newton – composições, vocal e guitarra base

Almiro Soares de Rezende (Nill) – guitarra solo

Fernando Roque – (contrabaixo)

Camilo Cezar (Camilinho)